segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

“Aquecimento global” já matou de frio mais de 130 na Polônia!!!

Outro artigo sobre aquecimento global

Autoridades polonesas informaram nesta segunda-feira (25) que ao menos 11 pessoas morreram nesta madrugada por causa das baixas temperaturas que afetam a Polônia, chegando a -30ºC em algumas regiões.

Os mortos nas últimas horas –em sua maioria desabrigados e alguns com problemas de alcoolismo– elevam para mais de 130 o número de mortos por congelamento desde outubro passado. A Polônia passa por um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos.

A polícia polonesa mantém uma ampla operação para evitar que os indigentes passem as noites nas ruas, levando-os a abrigos disponibilizados durante os meses mais frios do ano.

As autoridades sanitárias lembram que essas temperaturas são perigosas para a saúde a quem não usa roupas adequadas de inverno –especialmente para proteger as mãos, orelhas, nariz e pés, as partes do corpo mais sensíveis ao frio.

Embora a onda de frio não tenha vindo acompanhada de fortes nevascas dessa vez, os transportes foram afetados pelas baixas temperaturas noturnas, que nas proximidades de Lodz (centro da Polônia) chegaram a provocar o descarrilamento de um trem, sem deixar vítimas.

A circulação de veículos nas estradas também foi dificultada pelo gelo, que em alguns casos impossibilitou o abastecimento normal a lojas e postos de gasolina. Foram necessários veículos 4×4 para suprir o comércio com mercadorias.

O gelo predomina nas ruas das cidades polonesas, onde se amontoa em grandes blocos após ser afastado pelos serviços de limpeza, dificultando o trânsito normal dos cidadãos.

A onda de frio é especialmente árdua para os mais de 15 mil poloneses que continuam sem eletricidade em algumas áreas rurais do sul do país, onde o gelo danificou cabos elétricos há duas semanas, deixando os moradores sem calefação, água quente e luz.

Já não podes viver mais tempo conosco

Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?

Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio?Nem a guarda do Palatino, nem a ronda nocturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?
Oh tempos, oh costumes! O Senado tem conhecimento destes factos, o cônsul tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua vivo! Vivo?! Mais ainda, até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina. E nós, homens valorosos, cuidamos cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura. à morte, Catilina, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do cônsul; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.

Não foi bem assim

A luta armada só retardou a redemocratização, que nunca esteve entre os objetivos dos que a ela aderiram, dada a ideologia comunista de suas milícias

O PT, como partido, nada teve a ver com a redemocratização do país, pois não existia quando o jogo político foi levando o Brasil para os trilhos da normalidade institucional e era insignificante quando ela foi estabelecida.

Quem estiver realmente interessado na verdade histórica não pode ir atrás da retórica revanchista que descreve o Brasil, no período que vai de 1964 a 1985, como imensa masmorra política, sob um regime impopular, que atuava para enriquecer os ricos, empobrecer a classe média e miserabilizar os pobres. Não foi bem assim.

Nada justifica que a ruptura com a legitimidade democrática se prolongasse por duas décadas e, menos ainda, o emprego da tortura como instrumento para enfrentar a esquerda em armas e o terrorismo. Mas há outros fatos que não se pode negar nem obscurecer. Naqueles 21 anos, o Brasil se tornou a 8ª economia do mundo e toda a sociedade brasileira foi beneficiada. Pela primeira vez na história vivemos período de pleno emprego. Os salários subiam por pressão de demanda. Havia mais postos de trabalho do que trabalhadores desocupados. Para que se tenha uma ideia do que representou o surto de desenvolvimento nacional do período, passou-se um quarto de século até que, em 2008, episódica e isoladamente, o PIB brasileiro se expandisse acima de 6%, que foi o índice anual médio ao longo daquelas duas décadas inteiras! Construíram-se quase todas as rodovias federais hoje existentes, bem como as principais usinas que, ainda agora, seguram a barra da produção energética nacional; a taxa de analfabetismo, graças ao Mobral, caiu de 40% para 14% e desde então permanece nesse patamar; disponibilizaram-se, graças ao BNH, quatro milhões de moradias sociais; criou-se o Pró-Álcool, e por aí vai.

Foi com fortíssimo apoio popular que os militares ocuparam o poder em 1964. No ano seguinte, houve eleições diretas para governadores em 11 estados brasileiros. A oposição só venceu na Guanabara e em Minas Gerais. Perdeu nos outros nove estados. Naquele mesmo ano, implantou-se o bipartidarismo (ARENA do governo e MDB da oposição) e, em 1966, houve eleições para o Congresso Nacional. A ARENA fez 19 senadores e o PMDB 4; a ARENA elegeu 277 deputados federais e o MDB 132. Em 1968, foram disputadas as primeiras eleições majoritárias municipais enfrentadas pelos dois partidos e a ARENA venceu com folga o MDB no cômputo nacional.
Em 1970, já em vigência do AI-5, houve nova eleição para renovar 2/3 do Senado e a ARENA obteve sua maior vitória: elegeu 41 senadores enquanto o MDB (que diante da fragorosa derrota chegou a pensar em autoextinguir-se) conseguiu apenas cinco cadeiras. Em 1972, ainda em vigência do AI-5, nova eleição municipal e nova vitória da ARENA. Só em 1974, nas eleições para renovar 1/3 do Senado ocorreu a primeira vitória do MDB, que fez 16 senadores contra seis da ARENA. Mas em 1978, revogado o AI-5, a ARENA voltou a vencer as eleições para o Congresso: fez 15 cadeiras no Senado contra oito do MDB e 231 cadeiras na Câmara dos Deputados contra 191 do MDB.

As eleições de 1980 foram postergadas para 1982. Nesse pleito, que antecedeu a redemocratização, o regime já contabilizava absurdos 18 anos, mas ainda contava com surpreendente apoio popular. Sob nova lei, que fez retornar o multipartidarismo, ocorreram, naquele ano, eleições gerais que incluíam, pela primeira vez no período, as diretas para governador. Resultado: o PDS, que sucedera a ARENA, elegeu 12 governadores, o PMDB 9 e o PDT venceu no Rio de Janeiro com o gaúcho Leonel Brizola. Para o Senado, o PDS fez 15 senadores (incluídos os três de Rondônia que se transformara em Estado), o PMDB 9 e o PDT apenas1. Na Câmara dos Deputados, o PDS conquistou 232 cadeiras, o PMDB 200, o PDT 23, o PTB 13 e o PT 8. Foi esse plenário que comandou a última eleição presidencial indireta, com a vitória de Tancredo Neves.

Como se vê, leitor, em contradição com o que se tornou senso comum a respeito daqueles anos, o regime nunca foi impopular como muitos gostam de afirmar. O PT, como partido, nada teve a ver com a redemocratização do país, pois não existia quando o jogo político foi levando o Brasil para os trilhos da normalidade institucional e era insignificante quando ela foi estabelecida. A luta armada só retardou a redemocratização, que nunca esteve entre os objetivos dos que a ela aderiram, dada a ideologia comunista de suas milícias. Malgrado os muitos erros, os inaceitáveis casuísmos, as cassações de mandatos, as absurdas "áreas de segurança nacional", a irritante arrogância da "linha dura" e o descabido continuísmo, a sociedade, na hora de votar, reconhecia méritos na realidade nacional. E não dispensava aos políticos da base do governo e do regime a malquerença que o revisionismo histórico propaga como se fosse decorrência de políticas antipovo adotadas por gente perversa. Por fim, e por dever de justiça, outro desmentido ao lero-lero esquerdista. É falso dizer-se (como tentativa de conceder caráter de normalidade aos atuais níveis de corrupção) que, naquele tempo, havia tanto ou mais corrupção quanto hoje, mas ela "não era tornada pública por causa da censura". É provável que houvesse corrupção, sim, como em qualquer lugar do mundo. Contudo, ela era certamente muito menos significativa e desavergonhada do que agora. E a melhor prova disso é a absoluta falta de milionários entre os militares investidos de poder naquele período. Você, leitor, conhece algum que não viva apenas do seu soldo?

Quem escreve este artigo tinha 19 anos em 1964, nunca foi de esquerda, mas sempre, ao longo do período, disse o que pensava, reprovou com vigor o autoritarismo durante seus anos de política estudantil. Foi fichado no DOPS pelo que dizia. Mas não gosta da mistificação que se faz em nosso país como forma de, ainda hoje, colher dividendos políticos com o acirramento de ânimos e com o atropelo da verdade.

Por: Percival Puggina

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A ideologia do europeu idiotizado

O Estado usurpou as esferas privadas dessas mesmas atividades sociais, seja da família, da igreja, de entidades comunitárias autônomas e corporações particulares, para repassar esse intento a meia dúzia de políticos e burocratas. Isso é a seqüela do modelo europeu. Isso é a origem do welfare state! O nazismo e o comunismo tiveram palco promissor numa Europa em que aceitou a esfera do Estado para ditar sobre tudo, ainda que em nome do bem comum! E hoje não é muito diferente, quando esses controles, cada vez mais sutis, transformam o cidadão europeu médio numa criatura imbecilizada e paparicada pelo governo.

O brasileiro médio, no seu âmago de vira-lata, deslumbra-se com o modelo europeu estatizado de serviços públicos, em particular, a educação e o sistema de saúde. É moda que muitos sonhem com o modelo social-democrata, o chamado welfare state, que vigora, em especial, na França, Alemanha e nas nações escandinavas. Todavia, pouca gente percebe, mesmo os europeus, o pesadelo que há por trás desse ogro filantrópico chamado de "Estado moderno". Se alguém se der ao trabalho de estudar de onde provem as origens da educação e saúde públicas vai sentir um profundo mal estar. Reitero: quem ama a liberdade como uma dádiva sagrada de Deus, com certeza vai odiar suas origens. O Estado moderno, no geral, não forjou a educação publica para educar o povo, mas sim para doutriná-lo, seja através de uma ideologia nacionalista, ou então, fascista e comunista. O mesmo se aplica à saúde pública. Da mesma forma que escola pública serviu pra controlar a mente das crianças, a saúde pública foi usada para controlar a saúde dos cidadãos.

Não nos espantemos. Os modelos de serviços sociais estatais por excelência surgiram em países de tradições centralistas e autoritárias, como na França revolucionária de 1789 e na Alemanha prussiana e militarizada de Bismarck, e se espalharam para o mundo. Para isso, o Estado usurpou as esferas privadas dessas mesmas atividades sociais, seja da família, da igreja, de entidades comunitárias autônomas e corporações particulares, para repassar esse intento a meia dúzia de políticos e burocratas. Isso é a seqüela do modelo europeu. Isso é a origem do welfare state! O nazismo e o comunismo tiveram palco promissor numa Europa em que aceitou a esfera do Estado para ditar sobre tudo, ainda que em nome do bem comum! E hoje não é muito diferente, quando esses controles, cada vez mais sutis, transformam o cidadão europeu médio numa criatura imbecilizada e paparicada pelo governo.

E o que se vê na faustosa nação norte-americana? O presidente Barack Obama ameaça estatizar o sistema norte-americano de saúde, retirando dos cidadãos daquele país o direito de escolher seu próprio atendimento médico. Ou seja, a Casa Branca quer fazer com os americanos o que os Estados europeus fizeram com seus cidadãos: imbecilizá-los, para torná-los dependentes de um governo gigantesco, ineficiente, autoritário, em nome de ser pretensamente acolhedor.

Muitas falácias na imprensa esquerdista foram ditas sobre o que ocorre no sistema de saúde dos EUA. O maior mito é a história de que milhões de americanos não possuem atendimento médico algum e estão à mercê das circunstâncias do acaso. O caso a não ser explicado é que o governo americano terceiriza esses serviços em favor dos pobres (ao invés de ser dono deles), e o sistema garante autonomia e independência, obedecendo à descentralização federativa do país e às leis de livre mercado (ainda que os programas de saúde sejam federais). Ninguém explica que, dentro desses milhões, contam-se os imigrantes ilegais e também, aqueles que não procuram o tal serviço, o "Medicare", ainda que tenham direito de recebê-lo. No entanto, Barack Obama quer criar um centro, uma cúpula burocrática em Washington, tal como uma Gosplan soviética ou um SUS da vida. A lógica é, em si, estranha: parte-se do pressuposto de que a centralização da saúde pública gerará menos custos do que os serviços de saúde terceirizados. Do ponto de vista econômico é ridículo.

Espantosa é a cobertura da imprensa americana e brasileira sobre a questão. Estima-se que, dois milhões de norte-americanos tenham saído às ruas da capital de seu país contra a estatização do sistema de saúde norte-americano. O grosso da imprensa norte-americana, em primeira mão, ignorou solenemente o evento. Nas TVs ABC News, CBS, NBC, nenhum pigarro de notícia. No The New York Times, Usa Today, Los Angeles Times, nem mesmo saiu um necrológio sobre o tema. Só depois de muita pressão, e como não houve jeito de esconder, é que essas TVs e jornais soltaram alguma coisa. O Diário de Notícias de Lisboa deu uma de jornalismo stalinista do Pravda: limitou-se a dizer que a manifestação era da "direita radical" americana (sic). Quando não conseguiu omitir o impacto gigantesco nas ruas contra as ações estatizantes de Obama, simplesmente desmereceu os manifestantes, como "conservadores", teleguiados pelas empresas e aglomerações de saúde privada (o discurso socialista já está implícito nesses estereótipos). A mídia brasileira também tentou reduzir sua importância, pactuando com a distorção e a mentira. Na Folha de S. Paulo, foram apenas "milhares". . . O conservador, seja no Brasil ou nos EUA, não tem direito de palavra nas democracias. A mídia sempre publica más intenções inexistentes neste ser censurado, perseguido, caluniado. Na verdade, são os próprios formadores de opinião que colaboram para o crime, mentindo, enganando e induzindo a população ao erro.

Tais manifestações espontâneas impressionariam o brasileiro médio, idiotizado por anos de doutrinação estatizante, crendo piamente que a mera expansão do Estado é fonte de direitos. Mesmo o europeu médio, eterno dependente do Estado e sufocado por impostos, acharia estranho que um povo lute contra os serviços governamentais. Os escravos do Estado moderno mal percebem sua situação de decadência e tragédia. A questão a ser perguntada quando o Estado oferece o paraíso, mesmo dando o inferno, é: quem paga a conta? Neste ponto, os cidadãos americanos são muito mais conscientes do que os europeus e brasileiros. Rebelam-se em favor de suas liberdades, tal como há mais de duzentos anos atrás seus ancestrais jogaram o chá dos ingleses no mar e gritavam: No taxation without representation! Sabem que o modelo proposto por Obama é a destruição lenta e gradual da democracia norte-americana, da paixão pelas liberdades americanas, do sentimento de independência do cidadão norte-americano. O Sr. Obama quer transformar o povo americano numa versão caricatural do povo brasileiro, fanatizado por Lula, ou do europeu, o servo por excelência do Estado: um bando de carneirinhos que o idolatrem porque é bonzinho, criando milhões de burocratas para mamar nas tetas do Estado e do contribuinte.

A nação norte-americana resiste contra a força do ogro filantrópico que manchou de sangue o século XX e ameaça arruinar o século XXI: a praga do humanitarismo do Estado!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Breve analise sobre o filme 'Besouro' e sua idelogia

Uma contradição digna de nota é a comparação da relação de Besouro com Exu e sua relação com o Coronel. Enquanto Besouro revolta-se contra a exigência de submissão do Coronel, e esta revolta é imantada de positividade, ele submete-se servilmente a Exu, que repete para Besouro as palavras de Satanás para Jesus no deserto, exigindo que o personagem se curve perante ele para receber a força para dominar vencer o mundo.

O Rightwatcher foi assistir o filme brasileiro Besouro ontem à noite. Tendo nos filmes de minha adolescência pérolas como "O Grande Dragão Branco" ("Tijolo não reage!"), "Retroceder Nunca, Render-se Jamais", "O Último Dragão" ("Quem é o mestre, Leroy?"), e sendo um apreciador de gênero "artes marciais", como muitos colegas, sempre quis ver um filme brasileiro no estilo. Afinal, temos campeões de Judô e Jiu-Jitsu, criamos pelo menos duas artes-marciais, sendo elas a própria Capoeira e o Kombato, e mesmo nas lutas clássicas como Karatê desenvolvemos estilos genuinamente originais e eficientes. O Jiu-Jitsu e a Luta-Livre brasileiros contribuíram enormemente para a criação dos torneios mundiais mistos e por todos estes motivos, um filme no estilo cinematográfico de "arte-marcial" utilizando estes elementos sempre foi muito esperado.
Por que Besouro deixa um ar de frustração então? Penso que é porque em seus teasers e trailers, ele prometia ser um filme de artes-marciais selecionando a capoeira como veículo plástico mas não o é. A participação de coreógrafos de "O Tigre e o Dragão", épico moderno das artes-marciais reconhecido por sua estética poética, sugeria uma pretensão de nos reapresentar a capoeira na mesma escala daquele filme. De fato, nada falta à arte para que ela servisse de matéria-prima para um poema visual daquela magnitude. Justiça seja feita, "Besouro" tenta chegar lá. Mas soa como um bom cantor lírico que não alcança as notas e o virtuosismo dos mestres. Não alcança, porém, menos pela falta de potencial - ele está lá, nos dá o gostinho -, e mais por uma terrível âncora que deixa os vôos de " Besouro" pesados, se elevando ao ar com muita dificuldade e não superando as baixas altitudes.

Esta âncora é fato que "Besouro" não é um filme de artes-marciais, mas um folhetim ideológico e panfletário da mitologia política do movimento chamado negro. Para entender como uma agenda política sufoca uma promessa de um grande filme teremos que destrinchar alguns dos elementos do filme. E não se enganem, existem boas coisas lá, minha crítica sendo não que o "Besouro" rasteje, mas que não voa tão alto quanto poderia para atender aos programas políticos atuais. Minha análise focará os seguintes elementos: o personagem principal sob a luz de suas referências históricas, sociais e ideológicas, os vilões, que são basicamente o coronel, o capanga e o traidor, e na representação dos orixás, estes primeiramente segundo uma breve análise cristã e em seguida uma análise de suas funções narrativas e suas tensões simbólicas.

São três os Besouros de que falaremos: o histórico, o mítico e um Frankstein de propaganda. Os dois primeiros são os voadores, o último é o peso que segura o filme. O ser humano apelidado de "Besouro Magangá" existiu historicamente. Foi um capoeirista conhecido na Bahia em seu tempo por sua personalidade forte, destreza excepcional na capoeira, confrontos com a polícia, não ter profissão específica nem trabalho fixo e por defender os fracos de injustiças dos fortes e ser arrumador de confusão. Outra característica era de saber "sumir" quando via que o número de inimigos era muito grande, daí o dizer-se que ele virava besouro e "avoava". Morreu aos 27 anos em circunstâncias duvidosas, segundo alguns em mais um confronto com a polícia, segundo outros por uma cilada armada por um de seus inimigos. Algumas versões incluem a faca de ticum, que também vemos no filme, como elemento necessário para ferir alguém de "corpo fechado".

O Besouro histórico era realmente candomblecista e filho de Ogum (seu lado guerreiro), protegido de Xangô (representando seu senso de justiça). Ou seja, concessões feitas às naturais falhas e imperfeições humanas, o Besouro histórico era um "valentão do bem", utilizando sua genialidade marcial para resolver "na mão" as injustiças que encontrava pela frente. Era também um dos tipos que geraram o arquétipo do malandro brasileiro, vivendo de bicos aqui e acolá para sustentar o que ele mesmo devia considerar uma vida agradável. Mesmo sendo "do bem" acabou encontrando o fim que todo valentão encontra, sendo morto por uma brutalidade maior do que a que ele poderia lidar.

O Besouro mítico é o que acontece quando aquela pessoa de carne e osso se transforma em uma lenda, uma figura de sonho e imaginação. Este é a figura cantada nas rodas de capoeira. Tem contornos de um verdadeiro ancestral, uma espécie de figura espiritual intermediária entre orixás e homens, uma força e uma vibração, talvez um encantado ou um baba egum. O Besouro mítico é um signo, um arquétipo estrutural, formador e inspirador, um personagem verdadeiramente espontâneo e profundamente significativo. Suas canções exaltam suas capacidades sobrenaturais, seu senso de justiça e a tragédia de sua morte por traição. Esse era o Besouro que eu supunha iria encontrar no filme. Mas era o terceiro que lá estava.

Ao invés de um "bom malandro" que desenvolve poderes e cresce em caráter para se tornar um herói, o que vemos é um tipo de "super-ativista social". De fora fica o malandro brigão que tira satisfações com os bullies locais subjugando-os com sua capoeira superior, e entra um "alienado" político cujo "crescimento" consiste e "conscientizar-se" politicamente e fomentar a luta de classes, estas, aqui, em sobreposição perfeita com as melaninas das peles. Todos os negros são proletários semi-escravos e boa gente, todos os brancos são senhores e malvados. Ao Besouro cabe apenas assumir seu "papel histórico" e dar início à "consciência negra". A luta de classes inspirada por ele é simbolizada no final quando vemos o "negro alquebrado" e a "negra estuprada" possuídos do espírito de Besouro lutando e humilhando os senhores brancos.

Os outros dois Besouros foram tão radicalmente eliminados do filme que é necessário que o tempo todo os outros personagens nos informem em suas falas sobre como Besouro costumava ser vaidoso, irresponsável, malandro. Na verdade em momento nenhum vemos esse personagem. Logo no início do filme ocorre a morte de Mestre Alípio "por causa de suas idéias", como uma personagem também nos informa insinuando que ele era algum tipo de intelectual proletário que só não agia por faltar-lhe a habilidade física e portanto cabia a Besouro executar as idéias do "pensador". Imediatamente Besouro entra em crise, que porém é mal notada pois não o conhecemos antes daquele momento. Mestre Alípio e todos os demais personagens profetizam sobre o dever de Besouro de executar as idéias revolucionárias de seu mestre. Mestre Alípio era um mobilizador social com suas idéias, Besouro tinha que sê-lo com suas ações. Como Besouro é o personagem principal do filme é com ele que o espectador se identificará e, portanto, a mensagem é clara: o papel do herói é ser um agente de revolução social seguindo as idéias e heranças dos pensadores sociais do passado e que "morreram por elas". Como um filme tão visceralmente comprometido em ser uma propaganda política poderia alcançar as alturas de poema visual épico, mesmo possuindo alguns elementos plásticos dele, tão mesquinhamente constrangido desde dentro por objetivos tão pequenos?

Por sua vez, o mal está representado quase excluivamente pelos brancos. Da parte destes não há uma só qualidade boa, nenhuma virtude redentora, nenhuma complexidade. São plana e bidimensionalmente malévolos. Se até as femme fatales russas de um filme do 007 são capazes de uma ambigüidade primária, ainda que por desejo pelo herói, os homens brancos do filme patrocinado pela ANCINE não possuem sequer um sentimentozinho bom. São resoluta e inequivocamente perversos. O coronel, arremedo de elite, é visceralmente malicioso e ganancioso. Suas únicas lágrimas são pela plantação queimada, seus sentimentos pelos negros são exclusivamente os de posse, ódio, luxúria e inveja. Quando ajuda o povo é para seduzi-lo diabolicamente a maior servitude. Quando elogia a capoeira é com o fim de corromper seus praticantes. Derrotado, sequer jura vingança ou "Eu voltarei" como os mais rasos vilões. Cai na bebida, apanha de mulher, é ridicularizado pelas crianças, vive como sombra pelos cantos e não sustenta o olhar de um menino. Nada nele se salva, nem mesmo enquanto vilão.

Os capangas, por sua vez, são o mesmo que o coronel, porém sem o polimento de senhorio. O líder dos capangas é o "corifeu" do grupo, sendo através dele que a persona deles se expressa plenamente. Brutais, ignorantes, cegos, caninamente subservientes, cruéis, seu maior prazer é bater em negros, fazer piadas racistas e humilhar os semi-escravos. São apenas um conceito, não pessoas, vivendo unicamente para odiar os negros. Sem amor sequer entre eles mesmos, zombam quando um dos seus morre, especialmente por considerarem a humilhação suprema o fato de morrer travestido de negro. Se o coronel é uma espécie de demônio-mor, os capangas são sua pequena legião de diabretes.

O único vilão que apresenta alguma ambigüidade é o negro traidor; afinal, não sendo branco, pode apresentar certa humanidade. Seduzido pelo discurso da "classe opressora", abdica da sua "identidade afro" deixando de lado as roupas e penteados de escravo para adotar as roupas e penteado dos brancos. A menção ao cabelo é importante pois no início do filme vemo-lo precisamente elogiando o cabelo encarapinhado da moça que ama. A adoção de uma tentativa de penteado de cabelo liso simboliza, assim, a mudança de valores do personagem e sua "perda de identidade". A transição é rápida. Basta o coronel tecer alguns elogios para que o personagem seja seduzido e sua parceira, logo percebendo o "pecado ideológico" do parceiro, nos informa que ele é burro por fazer isso e nos dá um exemplo de como devem ser tratados esses "vendidos": se afastando dele. Na ideologia do racismo afro, o negro que deseja "sair da senzala" sem ser matando brancos física ou simbolicamente, necessariamente é vendido e desprezível e o filme nos apresenta o personagem com o fim de transmitir este dogma. Vigoroso e belo enquanto ainda "de raiz", se torna uma figura patética e débil ao fim do filme, não sem antes ser humilhado tanto por negros (nas pessoas de sua ex-namorada e de Besouro) quanto pelos próprios brancos aos quais desejava se unir (na figura do líder dos capangas). A lição está aprendida. Lugar de negro é na revolução, mas que não saia da senzala.

Finalmente, os orixás. Não há como dizer tal coisa delicadamente. Os deuses pagãos, sejam eles gregos, escandinavos ou africanos, são todos, sem exceção demônios. Penso que se a liberdade religiosa protege as pessoas que fundamentam suas intenções de assassinato, adultério e opressão em práticas e crenças fetichistas, há de proteger aqueles que meramente se escandalizam com a glamourização estética destas práticas. Talvez haja quem considere que cortar o pescoço de um bode vivo em um ritual extático sob a cacofonia de sons opressivos que provocam a posse da alma por entidades sombrias (ou forças subconscientes) seja equivalente a conscientemente tomar pão e vinho misticamente transformados na carne e sangue de Jesus Cristo sob cânticos litúrgicos, não para ser possuído, mas para sermos libertos. Este autor considera que não e pensa também que não está desacompanhado em tal sentimento no Brasil de maioria católica e no qual 55 milhões de negros são católicos (ainda que apenas 10% fosse praticante, seriam ainda 5 milhões), 8.7 milhões são pentecostais, enquanto, entre candomblecistas e umbandistas, o número de negros não chega a 250 mil. Ao mesmo tempo, na "Mama - África" os negros optaram maciçamente pelo Cristianismo e Islamismo, abandonando as práticas fetichistas e xamânicas das tribos. O primeiro conta com uma adesão média de 45% dos africanos, enquanto os segundos com cerca de 37%. Juntas, estas religiões que possuem opiniões bastante semelhantes quanto a natureza dos "deuses" tradicionais da África, somam quase 90% da população daquele continente. Bastariam tais números para colocar em suspeita a qualidade moral e mesmo da verdade espiritual contida nas práticas que os africanos abandonaram. E também fazem pensar porque o movimento dito negro passa ao largo de uma tão inegável e sistemática escolha dos seus "protegidos" por religiões com uma profunda capacidade civilizacional e filosófica para tentar, por força da repetição, associar a identidade deles a práticas de alienação psico-espiritual e cultivo da mentalidade mágica.

Entretanto, no filme, os Orixás são entidades protetoras do personagem principal em sua missão de insuflar a luta de classes sob a máscara de luta de raças. Assim, representam-nos como figuras eminentemente positivas apesar das confissões de amoralidade do único Orixá com fala no filme, o repulsivo Exu. Esta imagem de positividade é alcançada não só pelo apoio dos entes espirituais aos personagens "do bem", como por uma estética da beleza, do vigor e da sensualidade na busca de conduzir o gostar do espectador através de impulsos primários. A ligação com a natureza, também contribui para essa positividade dados os valores ecológicos atuais. Os Orixás do filme "Besouro" portanto, são as forças telúricas e espirituais que fomentam e coordenam tanto o ideário ecológico quanto o social, sendo fonte e base da harmonia entre os dois. Assim, até estes pobres demônios são reduzidos de sua condição infernal a meras peças de propaganda, encarnando a força dos movimentos revolucionários.

Uma contradição digna de nota é a comparação da relação de Besouro com Exu e sua relação com o Coronel. Enquanto Besouro revolta-se contra a exigência de submissão do Coronel, e esta revolta é imantada de positividade, ele submete-se servilmente a Exu, que repete para Besouro as palavras de Satanás para Jesus no deserto, exigindo que o personagem se curve perante ele para receber a força para dominar vencer o mundo. Esta abjeta queda de Besouro que se curva de joelhos e cabeça abaixada perante o demônio é, entretanto, apresentada com o signo da "humildade", como o momento em que Besouro vence seu orgulho personalista, deixa de ser alienado, compreende as idéias do seu mestre e inicia seu caminho como vingador dos oprimidos.

Estuturalmente, Exu e o Coronel são idênticos. Ambos são representantes de classes "superiores" (espiritual e social respectivamente) de seres. Ambos exigem que Besouro se curve, ambos consideram que ele estar de joelhos é necessário, ambos o atacam e castigam por ele não se submeter, ambos consideram sua resistência e impetuosidade como orgulho, ambos prometem benesses caso ele submeta. Qualquer força espiritual ou de caráter que a vitória sobre o Coronel poderia ter é completamente esvaziada pela submissão de Besouro a Exu. Sua derrota espiritual é um lodaçal que impede que ele voe mais alto posteriormente, pois tudo que ele faça em relação ao coronel já está espiritualmente consumado com sinal oposto desde o encontro de Besouro com a entidade amoral.

Nesta debochada inversão da vitória cristã sobre as três tentações fundamentais do demônio (gula, vaidade, poder) a serviço da idolatria e danação da alma humana, revelam-se as forças psíquicas ou espirituais, como queiram, que impedem o vôo de "Besouro". O épico exige algo do sublime, como vemos em "O Tigre e o Dragão" e filmes que nele se inspiraram ("O Clã das Adagas Voadoras", por exemplo). Exige a superação das forças cadentes e abissais da alma. "Besouro", porém, cegado pela ideologia, supõe que estas mesmas anti-forças da escuridão é que iriam gerar um herói, no sentido literário do termo. O drama épico é implodido inteiro na genuflexão de Besouro ao demônio, toda a possibilidade de grandeza morta ali mesmo para dar lugar ao ideário da "consciência negra", da "resistência racial" e da luta de classes. É naquele momento trágico, que o filme se afasta daqueles que o teriam inspirado no gênero, se afasta da promessa que sentíamos nos trailers e se afasta de qualquer relevância que poderia ter na colaboração do alargamento da alma humana, reduzido a pífia peça de propaganda animada por cenas de ação.

O atrativo filme, porém, como em "Tropa de Elite", são os potenciais positivos, infelizmente abortados pela propaganda ideológica. O Brasil se tornou nos últimos anos um deserto tão seco de altos ideais, tão ideologicamente raso, que o brasileiro está sedento de grandeza, de verdadeira sabedoria e virtude, de coragem viril e reto discernimento. Que nossos artistas apreendam essa necessidade, corajosamente deixem de lado seus patronos filicidas e expressem na arte a grandeza da virtude, do amor, da verdade, do belo, execrando a mesquinharia da ideologia, da ignorância voluntária, da fomentação de ódios entre classes e raças, da prisão de pessoas individuais em identidades sociais coletivas. Seus filmes são bons e fazem sucesso pelas virtudes imanentes que suas ideologias negam. Assumam estas virtudes.